sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Ao Brother!


Antes de postar sobre os músicos e bandas, sempre dou uma fuçada na rede pra ver se encontro boas informações e compilo, junto com alguns pitacos meus. Sobre o Som Imaginário, encontrei uma ótima resenha do primeiro disco e reproduzirei aqui.

 

Dedico esta sonzeira de rocha ao brother Marcião! Talvez você nem se lembre, camarada, mas dois dos seus três discos dessa fantástica coleção do Som Imaginário, tão comigo! E junto com a caixinha, tudo conservadinho, viu? Nem fique brabo, quando percebi, já tinha viajado muitos quilômetros, mas fique sossegado, à casa eles retornarão!!! Quantos anos faz isso?

Da minha parte posso dizer que o Som Imaginário é do caralho mesmo! O som dos caras é de fuder!!! Quem já assistiu qualquer um deles tocando ao vivo, sabe bem do que falo! É, juntos não tive o privilégio de ver, mas Robertinho Silva, Wagner Tiso e Naná Vasconcelos botam pra quebrar em seus shows! Sempre vale a pena.

 

Abaixo uma reportagem na Revista Intervalo, publicada em março de 1971, baixe aqui.


Então segue a bela resenha escrita por R.Schott e publicada em seu blog Discoteca Básica. Parabéns pelo texto!

O QUE VOCÊ APOSTARIA numa banda psicodélica formada por membros do grupo que acompanhava Milton Nascimento no fim dos anos 60? Pode apostar alto: os três únicos discos lançados pelo Som Imaginário (cujos músicos também acompanharam Lô Borges, Beto Guedes, Erasmo Carlos, Gonzaguinha e outros) são good trips garantidas. O primeiro, em especial, trazia um som mais pop, que misturava Beatles, psicodelia, rock progressivo, hippismo explícito e praticamente nada de MPB - destacando a criatividade de Frederyko, um dos melhores e menos reconhecidos guitarristas do Brasil, hoje sumido da mídia.
A formação que gravou Som Imaginário foi surgindo aos poucos, no fim dos anos 60. Wagner Tiso, que acompanhava Milton Nascimento desde o início de carreira (chegaram a montar, na adolescência, um conjunto de jazz chamado W Boys, graças à predominância na banda de rapazes com a inicial W no nome - Milton, que era o baixista, chegou a trocar seu nome para Wilton) se juntou a alguns músicos que tocavam com ele na noite carioca, como o baterista Robertinho Silva e o baixista Luiz Alves, e acabaram formando uma banda para tocar com o cantor mineiro. Antes disso, boa parte da formação do Som Imaginário podia ser encontrada no grupo de bailes Impacto 8, que tinha, entre outros, Robertinho e Frederyko. A banda não deu muito certo - Raul de Souza, trombonista e, em tese, líder do Impacto 8, desistiu do grupo após um show num Clube Militar em que todos os músicos simplesmente "esqueceram" de animar o baile para improvisar no palco.
Já contando com Wagner Tiso, Luiz Alves e Robertinho Silva, o Som Imaginário logo admitiria Frederyko, o percussionista Laudir de Oliveira (que não ficaria na banda) e mais uma dupla de compositores que também se destacaria no álbum de estréia: Zé Rodrix (órgão) e Tavito (guitarra-base e violão de 12 cordas). O grupo gravaria o LP de 1970 de Milton Nascimento e logo entraria em estúdio para registrar Som Imaginário, um dos mais interessantes lançamentos da música psicodélica brasileira. O disco tinha muito menos influências de MPB do que o pedigree dos músicos poderia fazer supor - mas havia a presença de Milton, fazendo alguns vocais (não creditados) e cedendo o instrumental prog mineiro "Tema dos deuses", sem contar a latinidade que aparecia em algumas canções assinadas por Zé Rodrix, como a ruidosa "Morse" e a doidaralhaça "Super-God", com sua letra psicodélica e contra-cultural. Todas as faixas eram preenchidas pela fuzz-guitar de Frederyko, que ainda contribuiu com dois dos momentos mais hippies do disco, a bela "Sábado" (gravada nos anos 80 pelo - veja só - Roupa Nova) e a balada anarquista "Nepal", gravada em clima de zoação no estúdio.
O maior sucesso do disco acabou sendo "Feira moderna", parceria de Beto Guedes, Lô Borges e Fernando Brant, gravada pela banda numa versão crua, cheia de riffs de órgão - é aquela mesma música que você conhece da versão de Beto Guedes no disco Amor de índio, de 1978 (e regravada também pelos Paralamas do Sucesso nos anos 90). Zé Rodrix, que praticamente liderava o grupo no disco e fazia quase todos os vocais, prosseguia sua viagem pop e lisérgica em faixas como "Make believe waltz" (mesclando valsa, rock e country), a agressiva "Hey man" (espalhando brasa para a Copa de 70 e a ditadura nos versos: "você precisava da taça de ouro/você precisava beber nessa taça/que você pagou com o sangue que nela derreteu.../só que nesse instante você foi feliz/você é feliz quando deixam") e o hino psicodélico "Poison", com letra lembrando Timothy Leary e os Beatles de "Tomorrow never knows" ("I always get the poison that I need to be alive, to see and sing/so poison me to get my mind way out/my mind way in").
Formado por músicos bastante requisitados - até hoje, aliás - o Som Imaginário se dividia entre a banda e vários trabalhos para outros artistas. Com o tempo o grupo foi perdendo integrantes. Zé Rodrix logo sairia da banda para se juntar a Sá & Guarabyra e gravar dois discos não menos clássicos, além do solo 1º acto, de 1973 (também pela Odeon). O segundo disco do Som Imaginário (1971), também homônimo, trazia Frederyko na liderança, compondo uma série de faixas anárquicas (como "Cenouras" e a engraçada "Salvação pela macrobiótica"), além do tema "A nova estrela", dele e de Wagner Tiso. E é a sonoridade de Wagner que domina Matança do porco, disco de 1972 da banda, mais chegado ao estilo que marcaria os trabalhos solo do tecladista. Com três discos bastante diferentes uns dos outros - Milagre dos peixes ao vivo, disco de Milton Nascimento lançado em 1975, pode ser considerado o quarto LP do grupo, por ter sido creditado a eles e ao cantor - o Som Imaginário chegou a um resultado que não permitia comparações com praticamente nenhuma banda nacional ou internacional. Pena que tenha durado tão pouco.
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O Timaço:

Wagner Tiso - piano e órgão
Tavito - violão
Luiz Alves - baixo
Robertinho Silva - bateria
Frederyko atualmente mais conhecido como Fredera - guitarra
Zé Rodrix - órgão, percussão voz e flautas

Outros integrantes:

Laudir de Oliveira - percussão
Naná Vasconcelos - percussão
Nivaldo Ornelas - saxofone e flauta
Toninho Horta - guitarra
Novelli - baixo
Paulinho Braga - bateria
Jamil Joanes - baixo


 
1. Morse (Wagner Tiso, Tavito, Zé Rodrix)
2. Super god (Zé Rodrix)
3. Tema dos deuses (Milton Nascimento)
4. Make believe waltz (Mike Renzi, Zé Rodrix)
5. Pantera (Frederyko, Fernando Brant)
6. Sábado (Frederiko)
7. Nepal (Frederiko)
8. Feira moderna (Beto Guedes, Fernando Brant)
9. Hey man (Tavito, Zé Rodrix)
10. Poison (Marco Antônio, Zé Rodrix)


 
1. Cenouras (Frederyko)
2. Você tem que saber (Chico Lessa, Márcio Borges)
3. Gogó (O alívio rococó) (Frederyko, Wagner Tiso)
4. Ascenso (Frederyko, Fernando Brant)
5. Salvação pela macrobiótica (Frederyko)
6. Uê (Chico Lessa, Márcio Borges)
7. Xmas blues (Frederyko)
8. A nova estrela (Frederyko, Wagner Tiso)
 

 
1. Armina Ouvir (Wagner Tiso)
2. A3 (Wagner Tiso)
3. Armina (Vinheta 1) (Wagner Tiso)
4. A nº 2 (Wagner Tiso)
5. A matança do porco (Wagner Tiso)
6. Armina (Vinheta 2) (Wagner Tiso)
7. Bolero (Mil, Luiz Alves, Wagner Tiso, Robertinho Silva, Tavito)
8. Mar azul (Luiz Alves, Wagner Tiso)
9. Arminha (Vinheta 3) (Wagner Tiso)

Um comentário:

  1. Galera, renovado o link do primeiro álbum, Som Imaginário - 1970. Na minha opinião, dos três, o melhor disco.

    Vale a pena ouvir!

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